Críticas

Rayman Origins

06.Mar.2012 13:14

Deliciosa insanidade

Seria expectável que horas passadas a jogar Rayman Origins permitissem explicar em pormenor de que trata este título lançado agora para a PS Vita. Infelizmente, não é assim e, após muito tempo de consola em punho, vejo-me forçado a admitir que não faço a mínima ideia do que se passa no ecrã. A leitura do manual (tantas vezes descurada) não ajudou. Qualquer coisa sobre um mundo idílico subitamente atormentado pela invasão de uma dimensão malévola provocada por roncos demasiado sonoros dos ociosos protagonistas. Disparate completo? Sem dúvida. Não que isso deva ser motivo de preocupação pois, insanidade à parte, trata-se de um dos melhores jogos de plataformas não apenas na biblioteca de títulos da PS Vita, mas certamente na história recente de um género há demasiado tempo remetido para aventuras de escassa duração e com resultados de eficácia flutuante.

Se a história absurda e superficial não é defeito, encontrar defeitos reais é tarefa muito complicada. Qualquer captura de ecrã aleatória seria passível de exibição numa galeria dos "jogos que dão vontade de ficar a apreciar a vista em vez de chegar ao fim do nível". As personagens são animadas de forma perfeita em toda a sua apetecível bizarria e variedade. Os cenários são vibrantes e comparáveis em beleza a qualquer coisa que poderia ter saído dos estúdios Disney em dia particularmente inspirado. Mas é impossível ficar a apreciar a paisagem porque haverá sempre inimigos à espreita e obstáculos a ultrapassar em níveis que têm tanto de eficaz como de alucinado, distribuídos por áreas que poderão ir desde uma selva luxuriante, a uma paisagem gélida e escorregadia decorada com gigantescos pedaços de fruta e latas de conserva (alguém desejou alguma vez saltar sobre rodelas de limão espetadas em garfos antropomórficos que berram?), passando por um infernal subterrâneo de lava com motivos de culinária mexicana.

O nível de dificuldade evolui numa suave curva ascendente com recompensas colecionáveis que acabam por ficar para segundo ou terceiro plano num jogo onde o mais importante será sempre a ação (de plataforma em plataforma ou, para variar, debaixo de água e em níveis shoot 'em up alimentados pelo esforço de um mosquito carrancudo). Recompensas mais relevantes serão os poderes especiais concedidos com a conclusão de níveis específicos, permitindo, por exemplo, pairar no ar ou encolher para caber em passagens apertadas.

Se o visual de Rayman Origins é impressionante, as restantes facetas do jogo não o serão menos. Os efeitos sonoros e a música dão um contributo precioso à ambientação e o esquema de controlo, apesar de simples, cumpre com tudo o que se esperaria e permite jogabilidade fluida. O ecrã tátil não serve para muito mais do que para fazer zoom, mas um aumento de funcionalidades táteis dificilmente conseguiria acrescentar algum benefício.

Com a possibilidade de jogar com personagens variadas e com tamanha riqueza de conteúdos, Rayman Origins prova que as plataformas continuam a fazer muito sentido num mundo que parece ter esquecido o prazer proporcionado por um dos géneros mais marcantes na evolução dos jogos modernos. A encontrar uma falha será apenas a total anulação do modo de multijogadores presente nas versões de outras consolas, substituindo-o por uma insípida comparação de tempos de percurso.

@Renato Carreira

Rayman Origins

Lançamento: 22 de Março de 2012

Também disponível para:

Pontuação GameOver

Geral 89
Gráficos
 94
Som
 91
Jogabilidade
 93
Longevidade
 79

Pontuação Utilizadores

89
17 votos
*A pontuação geral não é a média das restantes.

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Rayman Origins - Trailer vita

06.Mar.2012

Duração: 00:01:16

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