Need For Speed: The Run
19.Dez.2011 10:53
Uma oportunidade falhada para dar nova vida à saga da Electronic Arts.
Ao olharmos para trás nem parece que já passaram quase duas décadas desde que o primeiro Need For Speed foi lançado pela Electronic Arts. Não estamos a ficar mais novos, isso é certo, mas a saga de competição automóvel da EA tem sabido ao longo dos anos, renovar-se, reinventar-se e, uma vez por outra, inovar.
Desde as perseguições frenéticas carregadas de adrenalina arcade, das versões Hot Pursuit (variante High Stakes incluída) até à adoção do universo street racer e de todas as suas particularidades em Underground ou Most Wanted, passando pela simulação pura e dura de Porsche Unleashed ou Shift, a saga Need For Speed tem de tudo para todos os gostos e sempre com uma quantidade impressionante de veículos licenciados capazes de satisfazer as fantasias automobilísticas mais desregradas de qualquer condutor de sofá.
Quando em 2010 a Electronic Arts publicou a mais recente versão de Hot Pursuit, saída das mãos experientes da Criterion, foi inevitável não se sentir um certo sabor à espetacularidade de Burnout com o acrescento das perseguições policiais impiedosas tão típicas da série Hot Pursuit. O que também não passou despercebido foi o enorme salto qualitativo que se deu com este lançamento, gráficos e jogabilidade renovados tornaram-no um dos mais aclamados jogos do género lançados em 2010. Estava então quebrado um ciclo de lançamentos desenvolvidos na sua maior parte pela Black Box e que há já algum tempo se tinham tornado demasiado indistintos para merecerem mais relevância que aquela que é dada aos lançamentos anuais do costume. Terá sido este interregno benéfico, tanto para a Black Box como para a saga Need For Speed?
Ao ser anunciado em Abril de 2011, NFS: The Run causou enorme burburinho e expectativa, afinal não é todos os dias que nos é proposto percorrer os grandiosos cenários naturais dos E.U.A. de lés a lés ao volante de potentes automóveis sem termos que nos preocupar com limites de velocidade. Juntar a isso um trailer promocional da autoria do realizador Michael Bay (Transformers) e uma suposta herança espiritual de filmes como Vanishing Point (1971) ou Gone in 60 Seconds (1974) acabou por alimentar ainda mais a esperança dos jogadores em algo substancialmente diferente daquilo que a série NFS os tinha habituado.
O jogador assume o papel de Jack Rourke, que por motivos desconhecidos se vê a braços com uma gigantesca dívida a uma misteriosa organização criminosa. Obrigado a participar numa corrida ilegal de forma a ganhar o enorme prémio monetário para saldar as suas contas, tem que escapar à polícia e à própria organização criminosa. Talvez as expetativas tivessem sido colocadas demasiado altas, mas quando somos confrontados com um argumento destes só nos resta tentar não bocejar. Seja pelo completamente genérico Jack Rourke como pelos nossos adversários (simplisticamente apresentados através de alguns parágrafos de texto enquanto o jogo carrega), tudo é demasiado estereotipado para despertar o nosso interesse e fazer com que sintamos parte do universo de perigo eminente, carros rápidos e miúdas giras que o The Run nos apresenta.
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