Críticas

LEGO City: Undercover

15.Mar.2013 11:00

Traveller’s Tales prometia elevar a fórmula vencedora dos jogos da série LEGO, e depois das boas indicações dadas ao longo do ciclo de produção, LEGO City: Undercover corrobora todas as expectativas e assume‑se como um jogo realmente extraordinário.

Por muito que os responsáveis da Traveller’s Tales tentem afastar as comparações que têm sido feitas com GTA, a verdade é que estamos perante uma espécie de versão LEGO da mítica série da Rockstar. O jogador assume o papel de Chase McCain, um famoso agente policial que regressa a LEGO City para colocar um ponto final na onda de crimes que tem assolado a cidade. É o regresso ao ativo de um verdadeiro herói, reputação que Chase McCain alcançou alguns anos antes após ter prendido o temível Rex Fury. Com a fuga prisional de Rex Fury, a Mayor da cidade faz regressar o superpolícia, que terá agora de se infiltrar na organização criminosa para capturar novamente o perigoso fora da lei. Trata-se de uma autêntica paródia a filmes e séries das décadas de 80 e 90 do século passado, sem esquecer apontamentos subtis a vários jogos icónicos.

De referir que, ao contrário dos restantes jogos da série, Undercover é o primeiro título da atual geração LEGO que não está ligado a uma licença oficial como Star Wars, Indiana Jones, The Lord of the Rings ou Harry Potter.

Este afastamento de um enredo ou contexto predefinido permitiu à produtora dar asas à sua imaginação, criando um universo completamente original, onde o humor é realmente a palavra de ordem.

A história principal pode ocupar o jogador por mais de 20 horas, mas fazer 100% no jogo é uma tarefa que irá, no mínimo, duplicar esse valor. LEGO City é uma gigantesca metrópole, cheia de vida, minijogos, mais de 100 veículos para conduzir (incluindo carros, barcos, motas e helicópteros), missões secundárias e outras atividades paralelas. Um dos maiores feitos do jogo é a diversidade de mecânicas associadas à jogabilidade, em especial pela utilização permanente do sistema de disfarces (fatos).

Com o decorrer da história principal, Chase McCain vai desbloquear vários disfarces que lhe vão permitir atuar como agente infiltrado sem levantar suspeitas. É possível alterar em tempo real a vestimenta, e cada fato oferece um conjunto de habilidades únicas. É também importante referir a boa utilização do WiiU GamePad, que vai servir como scanner, GPS, gravador áudio, intercomunicador e até de máquina fotográfica. Pena que a longo prazo o sistema de combate se torne algo repetitivo.

Como o jogo tenta apelar, sobretudo, a um público mais jovem, os jogadores denominados hardcore poderão sentir que o grau de dificuldade não é desafiante o suficiente. Os puzzles são de fácil resolução e durante as missões do modo história é vulgar que o jogador sinta que está a ser demasiado “guiado”. Os tempos de carregamento entre missões também nos pareceram algo excessivos, mas nada que possa afetar a experiência global de jogo. A ausência do modo multijogador também não pode ser menosprezada.

Em contrapartida, e servindo como cereja no topo do bolo, está o facto de o jogo estar totalmente em português, num trabalho sem mácula. Além dos menus de texto, todos os diálogos estão na língua de Camões, com a mais-valia de ser uma adaptação específica à realidade nacional e não uma tradução direta das linhas de diálogo.

Em suma, LEGO City: Undercover assume-se com um jogo obrigatório para quem tem uma Wii U. Aliás, numa fase em que escasseiam novos lançamentos na consola da Nintendo, não consigo pensar em outro jogo desta consola que possa ser mais recomendado. A Nintendo e a Traveller’s Tales estão realmente de parabéns.

Por: Bruno Mendonça

Conteúdo: BGamer

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