Críticas

Catherine

20.Fev.2012 15:29

Uma brisa fresca que marca pela originalidade.

Olhar a caixa do jogo e vê-la decorada com uma beldade em pose e traje sugestivos fará pensar que estamos perante uma obra-prima da objetificação feminina. Depois de colocado o disco na consola, essa primeira impressão parece reforçar-se quando o protagonista, Vincent Brooks, reage às tentativas de consolidação relacional de Katherine, a sua namorada, como se alguém tentasse destruir-lhe pelos alicerces a sua vidinha confortável por maldade pura.

Até aqui, o jogador pensa estar seguro perante um inofensivo simulador romântico ao estilo nipónico apostando em reforçar fantasias masculinas com imagens e situações sensuais. Mas a ilusão não resiste muito tempo. Pouco depois de Vincent começar a ser assolado por um pesadelo estranho, entra em cena Catherine, outra personagem feminina curvilínea em que o jogo é tão abundante e que parece escolher o seu guarda-roupa exclusivamente em catálogos de lingerie. Sem saber como, Vincent acorda a seu lado e a sua vida começa a evoluir de forma francamente bizarra. Para quem assiste de comando na mão, a bizarria adensa-se. A aventura com laivos de dating sim transforma-se num puzzle muito peculiar em que o protagonista se vê forçado a mover blocos para formar os degraus que lhe permitirão subir uma torre armadilhada até à segurança, sem possibilidade de demoras, já que ficar para trás equivale a cair para o abismo e para a traumática mensagem "Love is Over".

Entre cada área de cada nível, Vincent demora-se numa espécie de antecâmara dantesca onde outros homens assolados pelos mesmos dilemas românticos aguardam a possibilidade de continuar a subida surgindo-lhe sob a forma de ovelhas bípedes. É aí que poderá comprar itens que facilitem o desafio, ouvir queixumes aos companheiros de provação ou aprender novas técnicas de escalada. Para seguir em frente, basta entrar no confessionário (não estamos a falar de um confessionário metafórico, mas de uma peça que reproduz na perfeição os confessionários de igreja clássicos), trocar algumas palavras com uma voz maliciosa e responder às perguntas que vão sendo feitas. São coisas aparentemente aleatórias, mas que acabarão por determinar o curso da história mais à frente e contribuem para o gráfico apresentado antes do início de cada fase indicando o número de jogadores que optaram por cada resposta.

O gameplay das sequências de pesadelo alterna com a vida diurna de Vincent, basicamente uma sucessão de cutscenes envolvendo as duas mulheres da sua vida e as personagens que povoam o bar Stray Sheep. É no bar que Vincent conversa com os seus companheiros de copos, bebe, muda a música na jukebox, bebe mais um pouco, conversa com a empregada ou com as gémeas que parecem saídas de um filme de David Lynch, bebe novamente, usa a máquina arcade cujo jogo é, basicamente, uma versão simplificada dos níveis de escalada e que pode servir de treino ou descompressão, ou aproveita para descobrir factos interessantes sobre as bebidas disponíveis na ementa. Isto, claro, enquanto volta a beber. Tal como sucede na vida, a quantidade de líquido ingerido fica ao critério de Vincent (ou de quem o controla) e, além dos resultados previsíveis, o que se bebe também afeta a prestação noturna na infernal torre de blocos.

Catherine

Lançamento: 10 de Fevereiro de 2012

Também disponível para:

Pontuação GameOver

Geral 82
Gráficos
 84
Som
 87
Jogabilidade
 77
Longevidade
 79

Pontuação Utilizadores

75
12 votos

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