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Arcade: 20 jogos que abalaram o mundo (Parte 1)

24.Out.2011 17:35

Insert Coin!

Uma cave suja, mal iluminada e cheia de fumo de cigarro. Gente agarrada a manípulos de plástico embutidos em armários coloridos, com os olhos fixos num ecrã e repetindo os mesmos movimentos frenéticos e irracionais, alheios à cacofonia eletrónica em redor. Não, não é uma descrição de algum bizarro círculo infernal, mas sim o ambiente quotidiano de uma sala de jogos portuguesa algures na década de oitenta ou noventa.

Era um mundo agreste e de difícil compreensão. Uma selva onde triunfava quem conseguia "hi-scores" e onde novatos viam as suas ambições estraçalhadas por uma implacável classe de veteranos. Um mundo onde as palavras "Game Over" eram temidas. Porque não significavam que a continuação do jogo estava ao alcance de um botão como nos condescendentes jogos atuais, exigindo antes um investimento monetário e, possivelmente, uma deslocação ao balcão sinistro do proprietário para trocar moedas.

O que tornava tão populares estes antros? Com os computadores pessoais e as consolas como luxos acessíveis a privilegiados e possibilitando apenas jogos rudimentares, as máquinas arcade eram o topo de gama da tecnologia e permitiam gráficos e complexidade inatingíveis por qualquer outra plataforma.

Durante as décadas de ouro do arcade, ficaram para a história jogos lendários, muitos deles originando adaptações e continuações noutros sistemas e, nalguns casos, com a sua popularidade mantendo-se intacta até aos nossos dias. O fim de uma era chegou com a revolução tecnológica iniciada precisamente nas salas de jogos e com a disseminação de computadores e consolas cada vez mais poderosos e acessíveis.

Atualmente, os jogos arcade sobrevivem graças aos esforços de entusiastas da emulação e continuam a ser apreciados por gerações que nunca viram uma moeda de cinquenta escudos. Arcaicos? Talvez. Esquecidos? Jamais.

 

Space Invaders
Ano: 1978
Criação: Tomohiro Mishikado (Taito)
Ideal para: quem sabe que "eles vêm aí" e não se deixa amedrontar.

A popularidade de Space Invaders foi alegadamente culpada por uma falta de moedas de cem ienes no Japão, forçando cunhagem de emergência. Seja ou não verdade, será inquestionável o seu papel na transformação dos videojogos de bizarria curiosa em apetecível e omnipresente forma de passar o tempo, quando nenhum livro, filme, música ou programa de televisão conseguia satisfazer da mesma forma uma vontade irreprimível de desintegrar cardumes de extraterrestres. Em vez do aborrecido ecrã monocromático do anterior Pong, Space Invaders deleitava os jogadores com uma exuberância de DUAS cores, aprofundada pela passagem ocasional de um misterioso disco voador vermelho com ruído de sirene de ambulância e explodindo em apetecíveis centenas de pontos quando atingido por um projétil. Eliminados todos os invasores espaciais, seguia-se um momento de êxtase: a possibilidade de voltar a fazer o mesmo começando do início, uma e outra vez, até deixarmos de sentir os dedos, até os olhos nos caírem ou até faltar a luz. Bons tempos...

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